
Diziam os antigos egípcios que, ao morrer, um homem de bem recebia o privilégio de levar consigo uma de suas escravas que seria encerrada viva com ele em seu túmulo e o acompanharia em sua viagem até o Duat (o outro mundo).
A escrava escolhida seria sua Ushabit, aquela que no Duat faria pelo morto todas as tarefas a ele determinadas a fim de que fossem expiados seus erros e purificada sua alma.
Há uns anos atrás, quando me deparei por acaso com um chat de Sadomasoquismo, não tive dúvidas. Tive certeza absoluta de ter encontrado meu lugar. Foi aí que entendi muitas coisas que já aconteciam comigo, meu fascínio pela submissão e a entrega.
E eu sigo neste caminho de encantamento, expandindo meus deveres, meus limites físicos e mentais, me colocando como argila nas mãos do DONO para que me modele à sua vontade, sem nem me preocupar com a forma que terei, confiante que será a melhor, já que Ele o faz a seu bel prazer e que, com certeza, será a forma ideal pra mim.
Não me preocupo com ganhos. Não pergunto como está sendo a minha ”criação”. Não procuro olhar no espelho para ver minha imagem. Se ELE gosta, se pra ELE é o ideal, para mim também será. A confiança e a fé no meu DONO são cegas. Quero ter a forma que ELE desejar.
Há 3 anos, ao iniciar minha servidão a ELE, assim que me foi colocada uma coleira, coloquei tudo que fazia parte de mim a seus pés. Era justamente dia 16 de janeiro quando, em 2008, ELE me tornou sua.
Daquele momento em diante tudo em mim passou a ser dEle. Meu corpo, meus desejos, minhas aspirações, meu coração, minha servidão, minha alma, meu cérebro. Sim, neste momento me tornei acéfala e é com grande orgulho que digo isso. Não é para qualquer pessoa se tornar acéfala por livre vontade. Não é para qualquer pessoa a vivência da verdadeira e livre entrega à vontade de outra. Não é para qualquer pessoa pertencer na totalidade, muito menos conseguir irradiar a beleza melíflua que nisto reside.
Eu sou escrava na acepção da palavra. E, se tiver a honra de ser escolhida, serei a Ushabti daquELE que me conduz. Não me espanta que muitas horrorizem com isso. O que ando vendo por aí é um descomprometimento total. Grande parte das que se dizem submissas, na verdade são baunilhas apimentadas, desesperadas por algo que esquente suas relações. É só dar uma volta por alguns blogs e constatar que não exagero. As expressões mais comuns são: "não sou um fantoche para ser manipulada à distância", "submissa aceita se quiser aceitar", "sou escrava sexual para ser amada e desejada". Ou, o que é pior, a famigerada expressão: "não sou escrava acéfala".
Tudo bem que tenham feito essas escolhas de vida, mas que não se digam submissas, ou escravas, porque de submissas ou de escravas não têm nada. Que assumam sua condição de baunilhas apimentadas. Não há demérito algum em se reconhecer honestamente
Eu,
DEXPEX_{
Amar Yasmine}, tenho orgulho de bater no peito e dizer que, apesar das três graduações e um mestrado, sou escrava acéfala. Sou e tenho várias amigas que também são. Somos mulheres que se anulam de bom grado, se deixam desconstruir para serem de novo construídas. Nos entregamos para sermos moldadas sem ao menos perguntar que forma teremos. Para nós isto não importa, desde que a forma agrade aos nossos Donos. Somos exemplos de submissão, nos dedicamos ao máximo à arte de servir e jamais colocaríamos em primeiro plano nossa vontade... mesmo porque, um dia nossas vontades foram trancadas em cofres cujas chaves, assim como nós mesmas, são mantidas sob o poder de quem comanda o nosso destino.
Ao
meu DONO,
SENHOR DEXPEX, agradeço os três anos mágicos de vivência a seus pés, a seus serviços. Que tenha todas as alegrias e prazeres que desejar, porque é o mínimo que ELE merece. E que tenha piedade da minha alma.
*;-)
DEXPEX_{Amar Yasmine}