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*

Princípio da submissão

Não sou tua submissa porque Te amo.

Te amo porque sou tua submissa.


Amar Yasmine

*


Minha Alma

Eu amo minha alma despojada



Minha doce alma submissa



Minha alma que espera.. espera.. espera



Minha alma que espera quieta, subserviente e nua



Eu amo esta minha alma



Que de tão devassa e suja



Se torna pura



Amar Yasmine

*







25 de mar de 2011

No corredor da morte..

Se é verdade que tudo tem começo, meio e fim, no corredor da morte a submissa espera... Boca seca, coração apertado, olhos vidrados, ar gélido no peito.. até que chegue sua hora.



Ontem eu saí cedo pra buscar a calopsita da minha amiga Dani.. ela vai ficar comigo uns tempos porque o macho fugiu e ela está morrendo de tristeza. Só fica piando de uma forma dolorosa e no fundo da gaiola... nem no poleiro quer subir. Enfim, fui buscá-la com a missão de lhe devolver a vontade de viver e, se conseguir retorná-la à alegria, pensarei ainda mais sério na possibilidade de um trabalho voluntário com animais que sofreram algum trauma, que já se recuperaram fisicamente mas que ainda estão sofrendo de tristeza... quem sabe é este o meu caminho?

Coloquei a gaiola sobre o banco do passageiro e, enquanto dirigia vim conversando com ela. Conversando sim, porque por várias vezes ela esperou que eu calasse para me responder com um piado triste de dar dó. Argumentei que nem tudo era dor, que se lembrasse dos dias felizes, do aprendizado... mas, ela só sabia lamentar... Piii tuuuuuuuu..... Piii tuuuuuuuu..... Piii tuuuuuuuu.....

No caminho para casa eu pensei que, embora seja simplesmente divino ser mulher.. (e se houver outras vidas quero sempre voltar mulher..), estamos todas condenadas ao sofrimento do amor... sejamos lá o que formos: escravas, submissas, ou baunilhas...



É, minha amiga, nenhuma de nós passa impune.. não mesmo. Algumas, com um instinto maior de sobrevivência, ao verem ceifadas suas relações logo engatam numa outra... talvez numa tentativa de fugir da dor. Não é o meu caso.. preciso de um tempo pra digerir.. mas, acho que fazem até muito bem as que procuram logo outra pessoa... já dizia minha avó: “Um amor só se cura com outro”... ou, “Rei morto, Rei posto”. Não sei e nem vou julgar ninguém, cada um sabe de si e ninguém tem o direito de censurar.

O fato é que, diferenças à parte, tanto faz se somos Paulas, Renatas, Valérias, Marias, ou até Ninas (nome da calopsita abandonada pelo macho), tanto faz também se somos escravas, submissas, cadelas, putas, meninas, brinquedos, masoquistas, baunilhas apimentadas ou sem pimenta... e até calopsitas...porque não? Mais cedo ou mais tarde estamos todas condenadas à dor. Tanto faz o estilo de vida, status sócio-econômico cultural, tanto faz a idade, ou o tipo físico, vivemos todas no corredor da morte.

Não, não sou dramática e muito menos pessimista, eu não espero o pior. Apenas parei pra pensar quanto dói lembrar que a qualquer momento tudo pode acabar. E não venha me dizer: "_Ah.. entao não pense nisso agora!" Te garanto que prefiro a lucidez, por mais que doa, do que viver no mundo da lua.

E me parece que quanto maior for a entrega e a doação de si mesma, maior será o sofrimento. Não mais estarmos ajoelhadas diante do Dono, não termos mais sua mão a segurar a guia da nossa coleira, nem sua vontade sobre a nossa. E não encontrarmos nossa imagem no espelho, porque no espelho tudo que veremos será a sua face amada, estas são dores dilacerantes.

Mas, por favor, não se atenham ao sofrimento.. Pensem nas maravilhas do presente. E, se no corredor da morte o que nos acomete é uma dor infinda, o tempo de servidão, por mais breve que seja, nos permite viver o nirvana que será sempre imensurável e compensará todas as dores presentes e futuras.

9 comentários:

([{mila}])MAGNO disse...

Pois é Amada, eu tambem prefiro a realidade ainda que doa, penso que doi menos quando nos depararmos com ela.
Porem, enquanto isso, nos resta viver intensamente cada momento de nossa submissão, seja ela como for.
Com certeza teremos mais prazeres, logo saúdo o presente aqui e agora, afinal é nele que estamos vivendo.
Amada como sempre, seus textos nos levam a muita reflexão, eu pelo menos viajo neles.

beijos rosa

{Júlia}Domador disse...

{Amar Yasmine}

vi no meu blogroll o anuncio da tua postagem e mais uma vez me emocionei pela realidade descrita tão bem nesse post, por saber exatamente a sensação da existencia desse corredor inevitável e sempre tão presente em nossas emoções... nem dá pra falar mais, porém espero que a calopsita Nina recupere a vontade de viver, assim como todas as mulheres sejam elas de qualquer origem ou tribo.

bjus

ENTREGA E SUBMISSÃO disse...

Amar
concordo contigo em tudo que disse.
no momento ando fugindo de ser feliz ou infeliz, ñ que me falte oportunidades, mas ainda tenho sequelas em mim desse corredor, ele ñ me matou mas me marcou e será marcas eternas....
super fds pra ti
beijos iluminados
sub_ísis

{Λїtą}_ŞT disse...

É, amada!
Fiquei um tempo tentando digerir tudo isso e chegando a conclusão que a sensação é exatamente esta... condenados no corredor da morte.
Mesmo que pareça óbvio demais não pude deixar de lembrar de um trecho da música Mulheres de Atenas, do Chico:

"Elas não têm gosto ou vontade,
Nem defeito, nem qualidade;
Têm medo apenas."


Esse medo está sempre presente por mais que tentemos evitar e a solução é mesmo viver cada momento com toda intensidade possível, em toda a beleza e plenitude de ser mulher, com todas as dores, ansiedades, medos, esperando a senteça no corredor da morte, mas com a certeza de ter uma alma sensível e uma cabeça em cima do pescoço, não balançando entre as pernas.
Beijos, amada.

{Λїtą}_ŞT

melissa disse...

Nada a acrescentar a esta belíssima reflexão.
Fica apenas uma confissão: foi no BDSM que eu tive uma maior consciência desse corredor da morte.

Amar,
Coloquei um post no meu blog sobre a prática do empréstimo e gostaria de ter a honra de um comentário seu.

Beijos mineiros

yaffa de LEON disse...

Querida Amar
Já te disse que esse blog é minha cartilha? sempre que preciso, busco aqui respostas as minhas indagações.
Pobrezinha da calopsita, diga a ela por mim que tudo vai melhorar, que o sol voltará a brilhar, que não morra de saudade nem de amor, aliás diga isso a todas nós, pq no fundo somos todas apenas calopsitas.
bjs meus
yaffa de LEON

{Júlia}Domador disse...

Amar,

primeiro agradecer sua visita e com um comentário com palavras tão significativas...

segundo, tem um presentinho pra vc lá no meu cantinho...sabe como é né? rsrs passa lá...

ótima semana

bjusss

{ÍsisdoEgito}JZ - Tua, somente tua disse...

Amar,

desejando que a nina se recupere a mais rapido possivel....

Bem, é fato, nós enquanto mulheres que somos, estamos fadadas a morrer de amor.....faz parte do pacote feminino.

E é fato que quanto maior a entrega, pior o morrer.

Agora, no caso das submissas, essa espera no corredor é tão ou mais fatal que a própria morte em si.

Como voce Amar, eu particularmente, não conseguiria sair de uma posse, onde minha entrega era plena e longa, sem recieos, sem vergonhas, sem que eu faça uma digestão minuciosa das coisas.

E como dói digerir...

Talvez seja mais facil curar um amor com oyutro, acredito que seja mesmo, mais o que serve para uma não serve para outra...rs

Finalmente, lágrimas caíram dos meus olhos ao ler tua comparação majestosa, talvez, porque esteja sabendo exatamente, o que significa esperar no corredor da morte: Deixar de pertencer ao meu DONO.

Beijos carinhosos,

ÍsisdoJUN

§ яєßє¢α de O AMO § disse...

Começar lendo você, sentindo você é realmente maravilhoso.
Bom dia, minha Amiga Única e tão Amada!
Ler seu post foi o mesmo que saborear o prato mais delicioso do universo. A sua sensibilidade e paixão pelos animais e, também, pelas pessoas que você ama são divinas e tudo isto passa ser um verdadeiro aprendizado.
Esse espaço é para mim , há muito tempo, um local mais do que especial... pois as reflexões que por aqui faço são de extremo significado em minha vida. Quando você relatou a conversa com a linda Nina, e as respostas que ela dava, tive a nítida sensação de estar junto com vocês. Sei muito bem como são suas conversas com os animais... todas cheias de amor e verdade. A sua voz , Amada, é calmaria, é conforto, é fortaleza. Você é iluminada. Tenho certeza que a Nina está em ótimas mãos e que hoje ela já deve estar comendo e cantando. Quisera eu estar ai , juntinho a ti, no dia de hoje!
Quanto a espera, isto é fato! Esperamos sempre de alguma forma. E todas as formas são doloridas; claro que umas mais e outras menos, mas doloridas. Já estive no corredor da morte por algumas vezes e foi você quem me deu o alívio, lembra? Confesso em público que estar nesse corredor e ter você como a Amiga sempre presente, ele fique bem mais “bonito” e repleto de grandes aprendizados.
Na relação que hoje vivo com § O AMO § , Ele me faz ver que um dia estarei sim nesse corredor – ou Ele mesmo, né! - , todavia, sempre ressalta que mesmo por lá, Ele estará juntinho a mim. Acredito, Amada, que quando a desconstrução é feita de forma séria e respeitosa tudo fica bem, e as alegrias vividas naquela relação se sobrepõem às dores sentidas por uma perda. Só de pensar estar longe de meu Dono e Senhor me deixa em pânico, uma vez que a minha fortaleza é hoje a partir dEle. E como § O AMO § mesmo diz: “Teremos todo o tempo do mundo!” O mundo é bem grande , né , Amada?!
Desculpe-me por não ter comentado anteriormente, mas você bem sabe como anda a minha vida profissional, né! Resolvi iniciar minha sexta-feira aqui , juntinho a ti, e registrar que você é a Minha AMIGA linda e que eu sempre você gostar, amar e ADORAR!
Beijos só nossos, abraços apertados só nossos também e mais algumas outras coisas também só nossas!

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